sexta-feira, 14 de março de 2014
augúrio
14 de março de 2014. Manhã chuvosa e fria, em que tudo estava escuro, mesmo com a presença pouca do sol. Acordara sombrio. Sentia necessidade de mais luz, no entanto, todas as coisas mostravam apenas seu lado escuro. Tudo dormia. De repente, na janela que gotejavam grossos pingos do céu que caiam, sobre a imperiosa força da chuva, como se não fosse permitido nada subir; de repente, no espaço de um segundo, um beija-flor azul marinho subiu, do lado de fora da janela. Olhei pra cima. Já tinha ido embora. Era um bom augúrio.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
26/07/2013
Tudo é pó:
Hoje fui comprar uma sandália. A que eu tinha havia rasgado. No supermercado encontrei uma de couro, bonita, eu gosto, coloquei no pé, ficou elegante. Senti um entusiasmo, me enchi de deuses, e como diz o senso comum: me senti feliz. Mas não é felicidade de fato, sei que uma sandália não pode nos fazer felizes, porque passará, como tudo que não é essencial. Esta sandália representa todas as coisas externas e todas as coisas efêmeras que nos fazem sentir essa falsa felicidade, que nos inebria, que nos cega diariamente.
Num só pensamento procurei em todas essas coisas uma que resistisse ao tempo e todas viraram pó. Logo eu estaria infeliz de novo. Mas assim como sei que essas coisas não trazem felicidade real, sei que é possível que existam as que trazem a felicidade real; e elas são exatamente as coisas contrárias àquelas. E todo o principio da felicidade real se resume nisso: ela não está no corpo, ela está toda na alma! Cegamente, sim cegamente, porque achamos que vemos, mas não vemos a essência, vemos só as aparências, acreditamos ver as coisas como elas são! A todo tempo! Nesse caso o verdadeiro cego vê melhor que a maioria dos que enxergam
A felicidade está toda na busca, no fortalecimento das coisas essenciais, na alma; pois quanto menos precisamos de sandálias pra estarmos felizes mais próximos estamos da felicidade real. Portanto, procuremos a todo o instante a essência das coisas, procuremos saber o quanto elas duram, se são efêmeras, procuremos ver além das aparências, algo tão difícil pra nós, acostumados desde cedo a nos alimentar do pão que seguramos com as mãos, e a salivar com o seu cheiro, procuremos nos desvencilhar o mais cedo desse costume, e assim desvencilharmos das aparências efêmeras, e finalmente encontrarmos o essencial das coisas que são eternas, e assim, seremos realmente felizes.
Tudo é pó:
Hoje fui comprar uma sandália. A que eu tinha havia rasgado. No supermercado encontrei uma de couro, bonita, eu gosto, coloquei no pé, ficou elegante. Senti um entusiasmo, me enchi de deuses, e como diz o senso comum: me senti feliz. Mas não é felicidade de fato, sei que uma sandália não pode nos fazer felizes, porque passará, como tudo que não é essencial. Esta sandália representa todas as coisas externas e todas as coisas efêmeras que nos fazem sentir essa falsa felicidade, que nos inebria, que nos cega diariamente.
Num só pensamento procurei em todas essas coisas uma que resistisse ao tempo e todas viraram pó. Logo eu estaria infeliz de novo. Mas assim como sei que essas coisas não trazem felicidade real, sei que é possível que existam as que trazem a felicidade real; e elas são exatamente as coisas contrárias àquelas. E todo o principio da felicidade real se resume nisso: ela não está no corpo, ela está toda na alma! Cegamente, sim cegamente, porque achamos que vemos, mas não vemos a essência, vemos só as aparências, acreditamos ver as coisas como elas são! A todo tempo! Nesse caso o verdadeiro cego vê melhor que a maioria dos que enxergam
A felicidade está toda na busca, no fortalecimento das coisas essenciais, na alma; pois quanto menos precisamos de sandálias pra estarmos felizes mais próximos estamos da felicidade real. Portanto, procuremos a todo o instante a essência das coisas, procuremos saber o quanto elas duram, se são efêmeras, procuremos ver além das aparências, algo tão difícil pra nós, acostumados desde cedo a nos alimentar do pão que seguramos com as mãos, e a salivar com o seu cheiro, procuremos nos desvencilhar o mais cedo desse costume, e assim desvencilharmos das aparências efêmeras, e finalmente encontrarmos o essencial das coisas que são eternas, e assim, seremos realmente felizes.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Em 17 de maio de 2013, o tempo anunciava: há uma batalha no céu. Uma luta entre as nuvens e o sol. Ao sul, monumentais paredes de nuvens pesadas desabavam sobre a terra, impedindo que o menor raio de luz as transpassasse. Ao norte, o sol ainda forte, queimava a terra, solitário, enquanto as infinitas massas de gás que vinham do sul, se aproximavam para fechar o firmamento com uma lentidão trágica, porque o sol estava sozinho, mas não desesperava. E como se fosse um deus, resistia hirto, aquecia e iluminava. Era a metáfora da abnegação.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
fenix
Que solidão!
Apenas eu.
Mas eu irei me erguer novamente,
Para depois cair de novo.
Irei começar de novo,
Não sei ainda como.
Mas irei começar de novo,
mais uma vez.
Que solidão!
Mas eu tenho música,
E ela me abraça a alma inteira.
Apenas eu.
Mas eu irei me erguer novamente,
Para depois cair de novo.
Irei começar de novo,
Não sei ainda como.
Mas irei começar de novo,
mais uma vez.
Que solidão!
Mas eu tenho música,
E ela me abraça a alma inteira.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
solitário
tarde de concreto
o inevitável sorriu
no firmamento
Abriu-se um fogo
amor escarlate
Quebrando as paredes
Mergulhando nos vidros
Inflamas todos os corações
Tua razão é uma estrela
corpos giram ao teu redor
te guardaram numa esfera de plasma
Teu coração vermelho
Se estende no branco
Teu coração vermelho
Queima o azul
És mais que a estrela
És mais que uma estrela
Que a estrela das estrelas!
Senhor de fogo
Conheço a tua solidão
que arde enquanto amas.
o inevitável sorriu
no firmamento
Abriu-se um fogo
amor escarlate
Quebrando as paredes
Mergulhando nos vidros
Inflamas todos os corações
Tua razão é uma estrela
corpos giram ao teu redor
te guardaram numa esfera de plasma
Teu coração vermelho
Se estende no branco
Teu coração vermelho
Queima o azul
És mais que a estrela
És mais que uma estrela
Que a estrela das estrelas!
Senhor de fogo
Conheço a tua solidão
que arde enquanto amas.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Os valores exaltados no Brasil de hoje
Em 2012, Rafael Nunes da Silva, morador de rua, perdeu o anonimato após ter sua foto publicada no Facebook - ganhando o epiteto de "mendigo gato", por ser considerado bonito, ter olhos azuis, etc. A vida deste rapaz agora é acompanhada pela mídia e pelo público, que parecem muito preocupados com seu bem estar, por ser usuário de crack e estar marginalizado. Para constatar, basta pesquisar seu epiteto num site de busca ou em qualquer destes portais eletrônicos populares.
Mas por que não vemos esse zelo diário com todos os outros marginalizados do Brasil, ou pelo menos alguns deles? Será que não há mais miseráveis no Brasil, será que eles não existem? Se existissem, sendo o morador de rua um anonimo que fosse "feio", receberia o mesmo cuidado? E se fosse negro, receberia o mesmo cuidado? Mas supondo que fosse negro e ainda "bonito", mesmo assim, seria tão famoso, receberia o mesmo cuidado?
Havendo racismo ou não no fato, um acontecimento não pode ser contestado, os valores exaltados no Brasil, tem efeitos perversos. Dentre os marginalizados, somente aqueles que são “bonitos” é que existem, pela ótica da mídia que exalta e a sociedade que aplaude, muitas vezes sem perceber. E o que significa ser “bonito” no Brasil atualmente? O que significa existir no Brasil hoje, para esta sociedade?
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
primeira estrela
Mar de estrelas!
E as Glórias da manhã!
Primeira estrela
Tragas teu afã misterioso
Syrius! só tu entendes,
Na tua solidão celeste
Do alto desta torre
A minha solidão
Tu que brilhas sozinha
Do alto do firmamento
Entre flares e ventos
Não podes estar sozinha
Pois que do teu peito emana luz!
...
Assinar:
Postagens (Atom)