segunda-feira, 18 de julho de 2016

saudações

Saudações  [aos corações] ..... !
Coração eu te saúdo!

Ouve o que eu digo através de ti:

Fui eu o primeiro a abrir a primeira janela
Enquanto todas estavam fechadas.



quarta-feira, 28 de maio de 2014

o sofrimento sob o ponto de vista do culpado

Sei como é essa sensação. Quem nunca se sentiu assim pelo mal que nos fizeram? É muito difícil realmente. Nós fazemos o bem, e o que recebemos de volta é uma devolução amarga. Mas e a agonia do criminoso, que sabemos dela sob seu ponto de vista? Condenado por si mesmo. Sua pena é a culpa, que pesa e ao mesmo tempo queima. E depois a pena do banimento. Evita-se, exclui, esquece, afasta-se com medo de ser maltratado novamente por ele, perde-se a confiança.Compreendemos os defeitos dos nossos amigos, dos nossos filhos, parentes, mas com o condenado é melhor ter cuidado. Tudo isso com razão, tudo isso é pouco, afinal o crime foi terrível. 

O crime sofrido pela vítima traz consequências funestas pra ela. Mas as consequências para o criminoso são também terríveis. Esse criminoso que se arrepende rapidamente, que quer ser ouvido. Que aguarda a liberdade do perdão real, mais do que ouvir que foi desculpado. Do afeto, do abraço, do sorriso, de ser tratado como aqueles que não fizeram mal nenhum. Isso é um sonho pra ele, porque é muito difícil que aconteça. É o único consolo. Então ele pensa e indaga quanto é o tempo da pena, quanto precisa expiar pra pagar a divida. 

Estamos na maioria dos casos, dos dois lados: da vítima e do algoz. A vítima sofre muito, tem medo, não suporta a injustiça cometida e tudo isso com razão.  
O algoz não tem razão. Não tem nada. Tem o erro, a culpa justificada, o crime cometido sem volta e por fim, se estiver arrependido, a esperança do perdão, além da palavra. O voltar a ser como era antes. Mas ele sabe que não será como antes, jamais! Sabe que a confiança está perdida, que o seu valor diminuiu aos olhos do outro, que sua boa imagem criada, foi quebrada pra sempre! O que resta pra ele? A agonia. Está só, assim como a vítima pode estar. Mas ele não tem nada, a não ser a culpa pra carregar  e o vazio, a ausência do abraço sonhado. Não tem ninguém! 

Pode ser que aquele que sofreu do criminoso, não tenha raiva dele, já o tenha desculpado, mas mesmo assim ainda está triste com ele. E se seu crime é pequeno, maior sua agonia se não é perdoado. Mas é crime, não importa. Erro é erro.

O que se quer? A extinção da dor, tanto da vítima quanto do algoz. A justiça é cara para a vítima e o perdão caro pra o criminoso

Espera o criminoso que aqueles poucos que ele crê amá-lo o perdoem logo. Espera que venham falar com ele, porque é humilhante insistir esse perdão. Ai daquele que tendo cometido um crime, sendo condenado, por pior que seja o crime, não tenha ninguém para abraçá-lo no cadafalso ou na prisão. Porque aí se está só, e estar só por ter cometido um crime é o próprio inferno! Por isso o amor materno é sagrado nos céus e nas prisões.

Ouvir tudo isso faz pensar que o criminoso é que é a vítima, que tem direitos que não tem. Quer-se culpar a vítima de um crime que ela mesmo sofreu. É um absurdo. O crime foi feito. Não há desculpas. Foi terrível, assustador, inesperado, triste, estúpido e desnecessário.

Não somos de ferro pra suportar tudo isso. Nos esforçamos pra fazer o bem e recebemos a ingratidão. Não devemos estar com alguém que não nos ama, que nos faz mal. Devemos nos afastar. Evitá-los. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

augúrio

14 de março de 2014. Manhã chuvosa e fria, em que tudo estava escuro, mesmo com a presença pouca do sol. Acordara sombrio. Sentia necessidade de mais luz, no entanto, todas as coisas mostravam apenas seu lado escuro. Tudo dormia. De repente, na janela que gotejavam grossos pingos do céu que caiam, sobre a imperiosa força da chuva, como se não fosse permitido nada subir; de repente, no espaço de um segundo, um beija-flor azul marinho subiu, do lado de fora da janela. Olhei pra cima. Já tinha ido embora. Era um bom augúrio. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

26/07/2013

Tudo é pó:

    Hoje fui comprar uma sandália. A que eu tinha havia rasgado. No supermercado encontrei uma de couro, bonita, eu gosto, coloquei no pé, ficou elegante. Senti um entusiasmo, me enchi de deuses, e como diz o senso comum: me senti feliz. Mas não é felicidade de fato, sei que uma sandália não pode nos fazer felizes, porque passará, como tudo que não é essencial. Esta sandália representa todas as coisas externas e todas as coisas efêmeras que nos fazem sentir essa falsa felicidade, que nos inebria, que nos cega diariamente. 
    Num só pensamento procurei em todas essas coisas uma que resistisse ao tempo e  todas viraram pó. Logo eu estaria infeliz de novo. Mas assim como sei que essas coisas não trazem felicidade real, sei que é possível que existam as que trazem a felicidade real; e elas são exatamente as coisas contrárias àquelas. E todo o principio da felicidade real se resume nisso: ela não está no corpo, ela está toda na alma! Cegamente, sim cegamente, porque achamos que vemos, mas não vemos a essência, vemos só as aparências, acreditamos ver as coisas como elas são! A todo tempo! Nesse caso o verdadeiro cego vê melhor que a maioria dos que enxergam   
    A felicidade está toda na busca, no fortalecimento das coisas essenciais, na alma; pois quanto menos precisamos de sandálias pra estarmos felizes mais próximos estamos da felicidade real. Portanto, procuremos a todo o instante  a essência das coisas, procuremos saber o quanto elas duram, se são efêmeras, procuremos ver além das aparências, algo tão difícil pra nós, acostumados desde cedo a nos alimentar do pão que seguramos com as mãos, e a salivar com o seu cheiro, procuremos nos desvencilhar o mais cedo desse costume, e assim desvencilharmos das aparências efêmeras, e finalmente encontrarmos o essencial das coisas que são eternas, e assim, seremos realmente felizes.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Em 17 de maio de 2013, o tempo anunciava: há uma batalha no céu. Uma luta entre as nuvens e o sol. Ao sul, monumentais paredes de nuvens pesadas desabavam sobre a terra, impedindo que o menor raio de luz as transpassasse. Ao norte, o sol ainda forte, queimava a terra, solitário, enquanto as infinitas massas de gás que vinham do sul, se aproximavam para fechar o firmamento com uma lentidão trágica, porque o sol estava sozinho, mas não desesperava. E como se fosse um deus, resistia hirto, aquecia e iluminava. Era a metáfora da abnegação.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

fenix

Que solidão!
Apenas eu.
Mas eu irei me erguer novamente,
Para depois cair de novo.
Irei começar de novo,
Não sei ainda como.
Mas irei começar de novo,
mais uma vez.
Que solidão!
Mas eu tenho música,
E ela me abraça a alma inteira.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

solitário

tarde de concreto 
o inevitável sorriu
no firmamento
Abriu-se um fogo 

amor escarlate
Quebrando as paredes 
Mergulhando nos vidros
Inflamas todos os corações

Tua razão é uma estrela 
corpos giram ao teu redor
te guardaram numa esfera de plasma


Teu coração vermelho
Se estende no branco
Teu coração vermelho
Queima o azul


És mais que a estrela
És mais que uma estrela
Que a estrela das estrelas!

Senhor de fogo
Conheço a tua solidão 
que arde enquanto amas.