11 de nov de 2015:
Só hoje então foi me dada a honra de ser um pássaro
Para poder cantar as canções que me vem de Natura,
Sem a qual coisa alguma pode ser e nem vir a ser
Mas como só hoje eu é que sou pássaro, e somente hoje minhas asas tem força e leveza para levantar o voo novo...
Então apenas quando se é pássaro o céu é eterno
E o que está embaixo é claramente efêmero
E mesmo sabendo que aqueles a quem temos grande afeição serão pó...
Mas lá no alto, levantaremos mesmo do pó que antes nos guardava, quando Éramos, e então seremos em verdade, eternos
Porque somente no céu cujos pássaros voam é que se pode existir o haver.
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
segunda-feira, 18 de julho de 2016
saudações
Saudações [aos corações] ..... !
Coração eu te saúdo!
Ouve o que eu digo através de ti:
Fui eu o primeiro a abrir a primeira janela
Enquanto todas estavam fechadas.
Coração eu te saúdo!
Ouve o que eu digo através de ti:
Fui eu o primeiro a abrir a primeira janela
Enquanto todas estavam fechadas.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
o sofrimento sob o ponto de vista do culpado
Sei como é essa sensação. Quem nunca se sentiu assim pelo mal que nos fizeram? É muito difícil realmente. Nós fazemos o bem, e o que recebemos de volta é uma devolução amarga. Mas e a agonia do criminoso, que sabemos dela sob seu ponto de vista? Condenado por si mesmo. Sua pena é a culpa, que pesa e ao mesmo tempo queima. E depois a pena do banimento. Evita-se, exclui, esquece, afasta-se com medo de ser maltratado novamente por ele, perde-se a confiança.Compreendemos os defeitos dos nossos amigos, dos nossos filhos, parentes, mas com o condenado é melhor ter cuidado. Tudo isso com razão, tudo isso é pouco, afinal o crime foi terrível.
O crime sofrido pela vítima traz consequências funestas pra ela. Mas as consequências para o criminoso são também terríveis. Esse criminoso que se arrepende rapidamente, que quer ser ouvido. Que aguarda a liberdade do perdão real, mais do que ouvir que foi desculpado. Do afeto, do abraço, do sorriso, de ser tratado como aqueles que não fizeram mal nenhum. Isso é um sonho pra ele, porque é muito difícil que aconteça. É o único consolo. Então ele pensa e indaga quanto é o tempo da pena, quanto precisa expiar pra pagar a divida.
Estamos na maioria dos casos, dos dois lados: da vítima e do algoz. A vítima sofre muito, tem medo, não suporta a injustiça cometida e tudo isso com razão.
O algoz não tem razão. Não tem nada. Tem o erro, a culpa justificada, o crime cometido sem volta e por fim, se estiver arrependido, a esperança do perdão, além da palavra. O voltar a ser como era antes. Mas ele sabe que não será como antes, jamais! Sabe que a confiança está perdida, que o seu valor diminuiu aos olhos do outro, que sua boa imagem criada, foi quebrada pra sempre! O que resta pra ele? A agonia. Está só, assim como a vítima pode estar. Mas ele não tem nada, a não ser a culpa pra carregar e o vazio, a ausência do abraço sonhado. Não tem ninguém!
Pode ser que aquele que sofreu do criminoso, não tenha raiva dele, já o tenha desculpado, mas mesmo assim ainda está triste com ele. E se seu crime é pequeno, maior sua agonia se não é perdoado. Mas é crime, não importa. Erro é erro.
O que se quer? A extinção da dor, tanto da vítima quanto do algoz. A justiça é cara para a vítima e o perdão caro pra o criminoso
Espera o criminoso que aqueles poucos que ele crê amá-lo o perdoem logo. Espera que venham falar com ele, porque é humilhante insistir esse perdão. Ai daquele que tendo cometido um crime, sendo condenado, por pior que seja o crime, não tenha ninguém para abraçá-lo no cadafalso ou na prisão. Porque aí se está só, e estar só por ter cometido um crime é o próprio inferno! Por isso o amor materno é sagrado nos céus e nas prisões.
Ouvir tudo isso faz pensar que o criminoso é que é a vítima, que tem direitos que não tem. Quer-se culpar a vítima de um crime que ela mesmo sofreu. É um absurdo. O crime foi feito. Não há desculpas. Foi terrível, assustador, inesperado, triste, estúpido e desnecessário.
Não somos de ferro pra suportar tudo isso. Nos esforçamos pra fazer o bem e recebemos a ingratidão. Não devemos estar com alguém que não nos ama, que nos faz mal. Devemos nos afastar. Evitá-los.
O crime sofrido pela vítima traz consequências funestas pra ela. Mas as consequências para o criminoso são também terríveis. Esse criminoso que se arrepende rapidamente, que quer ser ouvido. Que aguarda a liberdade do perdão real, mais do que ouvir que foi desculpado. Do afeto, do abraço, do sorriso, de ser tratado como aqueles que não fizeram mal nenhum. Isso é um sonho pra ele, porque é muito difícil que aconteça. É o único consolo. Então ele pensa e indaga quanto é o tempo da pena, quanto precisa expiar pra pagar a divida.
Estamos na maioria dos casos, dos dois lados: da vítima e do algoz. A vítima sofre muito, tem medo, não suporta a injustiça cometida e tudo isso com razão.
O algoz não tem razão. Não tem nada. Tem o erro, a culpa justificada, o crime cometido sem volta e por fim, se estiver arrependido, a esperança do perdão, além da palavra. O voltar a ser como era antes. Mas ele sabe que não será como antes, jamais! Sabe que a confiança está perdida, que o seu valor diminuiu aos olhos do outro, que sua boa imagem criada, foi quebrada pra sempre! O que resta pra ele? A agonia. Está só, assim como a vítima pode estar. Mas ele não tem nada, a não ser a culpa pra carregar e o vazio, a ausência do abraço sonhado. Não tem ninguém!
Pode ser que aquele que sofreu do criminoso, não tenha raiva dele, já o tenha desculpado, mas mesmo assim ainda está triste com ele. E se seu crime é pequeno, maior sua agonia se não é perdoado. Mas é crime, não importa. Erro é erro.
O que se quer? A extinção da dor, tanto da vítima quanto do algoz. A justiça é cara para a vítima e o perdão caro pra o criminoso
Espera o criminoso que aqueles poucos que ele crê amá-lo o perdoem logo. Espera que venham falar com ele, porque é humilhante insistir esse perdão. Ai daquele que tendo cometido um crime, sendo condenado, por pior que seja o crime, não tenha ninguém para abraçá-lo no cadafalso ou na prisão. Porque aí se está só, e estar só por ter cometido um crime é o próprio inferno! Por isso o amor materno é sagrado nos céus e nas prisões.
Ouvir tudo isso faz pensar que o criminoso é que é a vítima, que tem direitos que não tem. Quer-se culpar a vítima de um crime que ela mesmo sofreu. É um absurdo. O crime foi feito. Não há desculpas. Foi terrível, assustador, inesperado, triste, estúpido e desnecessário.
Não somos de ferro pra suportar tudo isso. Nos esforçamos pra fazer o bem e recebemos a ingratidão. Não devemos estar com alguém que não nos ama, que nos faz mal. Devemos nos afastar. Evitá-los.
sexta-feira, 14 de março de 2014
augúrio
14 de março de 2014. Manhã chuvosa e fria, em que tudo estava escuro, mesmo com a presença pouca do sol. Acordara sombrio. Sentia necessidade de mais luz, no entanto, todas as coisas mostravam apenas seu lado escuro. Tudo dormia. De repente, na janela que gotejavam grossos pingos do céu que caiam, sobre a imperiosa força da chuva, como se não fosse permitido nada subir; de repente, no espaço de um segundo, um beija-flor azul marinho subiu, do lado de fora da janela. Olhei pra cima. Já tinha ido embora. Era um bom augúrio.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
26/07/2013
Tudo é pó:
Hoje fui comprar uma sandália. A que eu tinha havia rasgado. No supermercado encontrei uma de couro, bonita, eu gosto, coloquei no pé, ficou elegante. Senti um entusiasmo, me enchi de deuses, e como diz o senso comum: me senti feliz. Mas não é felicidade de fato, sei que uma sandália não pode nos fazer felizes, porque passará, como tudo que não é essencial. Esta sandália representa todas as coisas externas e todas as coisas efêmeras que nos fazem sentir essa falsa felicidade, que nos inebria, que nos cega diariamente.
Num só pensamento procurei em todas essas coisas uma que resistisse ao tempo e todas viraram pó. Logo eu estaria infeliz de novo. Mas assim como sei que essas coisas não trazem felicidade real, sei que é possível que existam as que trazem a felicidade real; e elas são exatamente as coisas contrárias àquelas. E todo o principio da felicidade real se resume nisso: ela não está no corpo, ela está toda na alma! Cegamente, sim cegamente, porque achamos que vemos, mas não vemos a essência, vemos só as aparências, acreditamos ver as coisas como elas são! A todo tempo! Nesse caso o verdadeiro cego vê melhor que a maioria dos que enxergam
A felicidade está toda na busca, no fortalecimento das coisas essenciais, na alma; pois quanto menos precisamos de sandálias pra estarmos felizes mais próximos estamos da felicidade real. Portanto, procuremos a todo o instante a essência das coisas, procuremos saber o quanto elas duram, se são efêmeras, procuremos ver além das aparências, algo tão difícil pra nós, acostumados desde cedo a nos alimentar do pão que seguramos com as mãos, e a salivar com o seu cheiro, procuremos nos desvencilhar o mais cedo desse costume, e assim desvencilharmos das aparências efêmeras, e finalmente encontrarmos o essencial das coisas que são eternas, e assim, seremos realmente felizes.
Tudo é pó:
Hoje fui comprar uma sandália. A que eu tinha havia rasgado. No supermercado encontrei uma de couro, bonita, eu gosto, coloquei no pé, ficou elegante. Senti um entusiasmo, me enchi de deuses, e como diz o senso comum: me senti feliz. Mas não é felicidade de fato, sei que uma sandália não pode nos fazer felizes, porque passará, como tudo que não é essencial. Esta sandália representa todas as coisas externas e todas as coisas efêmeras que nos fazem sentir essa falsa felicidade, que nos inebria, que nos cega diariamente.
Num só pensamento procurei em todas essas coisas uma que resistisse ao tempo e todas viraram pó. Logo eu estaria infeliz de novo. Mas assim como sei que essas coisas não trazem felicidade real, sei que é possível que existam as que trazem a felicidade real; e elas são exatamente as coisas contrárias àquelas. E todo o principio da felicidade real se resume nisso: ela não está no corpo, ela está toda na alma! Cegamente, sim cegamente, porque achamos que vemos, mas não vemos a essência, vemos só as aparências, acreditamos ver as coisas como elas são! A todo tempo! Nesse caso o verdadeiro cego vê melhor que a maioria dos que enxergam
A felicidade está toda na busca, no fortalecimento das coisas essenciais, na alma; pois quanto menos precisamos de sandálias pra estarmos felizes mais próximos estamos da felicidade real. Portanto, procuremos a todo o instante a essência das coisas, procuremos saber o quanto elas duram, se são efêmeras, procuremos ver além das aparências, algo tão difícil pra nós, acostumados desde cedo a nos alimentar do pão que seguramos com as mãos, e a salivar com o seu cheiro, procuremos nos desvencilhar o mais cedo desse costume, e assim desvencilharmos das aparências efêmeras, e finalmente encontrarmos o essencial das coisas que são eternas, e assim, seremos realmente felizes.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Em 17 de maio de 2013, o tempo anunciava: há uma batalha no céu. Uma luta entre as nuvens e o sol. Ao sul, monumentais paredes de nuvens pesadas desabavam sobre a terra, impedindo que o menor raio de luz as transpassasse. Ao norte, o sol ainda forte, queimava a terra, solitário, enquanto as infinitas massas de gás que vinham do sul, se aproximavam para fechar o firmamento com uma lentidão trágica, porque o sol estava sozinho, mas não desesperava. E como se fosse um deus, resistia hirto, aquecia e iluminava. Era a metáfora da abnegação.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
fenix
Que solidão!
Apenas eu.
Mas eu irei me erguer novamente,
Para depois cair de novo.
Irei começar de novo,
Não sei ainda como.
Mas irei começar de novo,
mais uma vez.
Que solidão!
Mas eu tenho música,
E ela me abraça a alma inteira.
Apenas eu.
Mas eu irei me erguer novamente,
Para depois cair de novo.
Irei começar de novo,
Não sei ainda como.
Mas irei começar de novo,
mais uma vez.
Que solidão!
Mas eu tenho música,
E ela me abraça a alma inteira.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
solitário
tarde de concreto
o inevitável sorriu
no firmamento
Abriu-se um fogo
amor escarlate
Quebrando as paredes
Mergulhando nos vidros
Inflamas todos os corações
Tua razão é uma estrela
corpos giram ao teu redor
te guardaram numa esfera de plasma
Teu coração vermelho
Se estende no branco
Teu coração vermelho
Queima o azul
És mais que a estrela
És mais que uma estrela
Que a estrela das estrelas!
Senhor de fogo
Conheço a tua solidão
que arde enquanto amas.
o inevitável sorriu
no firmamento
Abriu-se um fogo
amor escarlate
Quebrando as paredes
Mergulhando nos vidros
Inflamas todos os corações
Tua razão é uma estrela
corpos giram ao teu redor
te guardaram numa esfera de plasma
Teu coração vermelho
Se estende no branco
Teu coração vermelho
Queima o azul
És mais que a estrela
És mais que uma estrela
Que a estrela das estrelas!
Senhor de fogo
Conheço a tua solidão
que arde enquanto amas.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Os valores exaltados no Brasil de hoje
Em 2012, Rafael Nunes da Silva, morador de rua, perdeu o anonimato após ter sua foto publicada no Facebook - ganhando o epiteto de "mendigo gato", por ser considerado bonito, ter olhos azuis, etc. A vida deste rapaz agora é acompanhada pela mídia e pelo público, que parecem muito preocupados com seu bem estar, por ser usuário de crack e estar marginalizado. Para constatar, basta pesquisar seu epiteto num site de busca ou em qualquer destes portais eletrônicos populares.
Mas por que não vemos esse zelo diário com todos os outros marginalizados do Brasil, ou pelo menos alguns deles? Será que não há mais miseráveis no Brasil, será que eles não existem? Se existissem, sendo o morador de rua um anonimo que fosse "feio", receberia o mesmo cuidado? E se fosse negro, receberia o mesmo cuidado? Mas supondo que fosse negro e ainda "bonito", mesmo assim, seria tão famoso, receberia o mesmo cuidado?
Havendo racismo ou não no fato, um acontecimento não pode ser contestado, os valores exaltados no Brasil, tem efeitos perversos. Dentre os marginalizados, somente aqueles que são “bonitos” é que existem, pela ótica da mídia que exalta e a sociedade que aplaude, muitas vezes sem perceber. E o que significa ser “bonito” no Brasil atualmente? O que significa existir no Brasil hoje, para esta sociedade?
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
primeira estrela
Mar de estrelas!
E as Glórias da manhã!
Primeira estrela
Tragas teu afã misterioso
Syrius! só tu entendes,
Na tua solidão celeste
Do alto desta torre
A minha solidão
Tu que brilhas sozinha
Do alto do firmamento
Entre flares e ventos
Não podes estar sozinha
Pois que do teu peito emana luz!
...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Triunfo (esboço)
Um dia ele virá
E passará triunfante.
Não haverá força que o impeça
Nem as vertebras dos homens
Nem a coluna dos muros errantes
Seu anuncio foi predito
Um dia ele virá
E passará triunfante.
Seu preludio é silencioso
Diz o coração.
Não há razão que suporta
O coração que arrebenta
E em cada noite que Deus sonha
Nasce um tigre
E se sobre seu dorso
senta uma criança
Quem poderia detê-lo?
Um dia ele virá
E passará triunfante.
Um dia ele virá
Virá o amor.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
A Pira do Ipiranga
Na Pira do Ipiranga
O Fogo da Cidade ardia
Ardia na pedra da pira
e refletia:
Sobre o céu cinzento
A nuvens caminham espessas
Os transeuntes aos milhares.
Alguns passeiam,
Outros correm desesperados
Da escravidão do dever.
Fora aqueles, estes
permanecem quase mortos,
Da inanição do abandono.
Enquanto o Fogo arde na Pira de Pedra
Enquanto a imensa cidade se contaminava de pedra.
Subiam sob os ramos da Razão contaminada
Um material duro e seco
Amparado em vigas
Erguiam as paredes da cidadela morta
E a peste que nascia
Dos muros enormes
Penetrava os corações menores
Petrificados pela solidão,
Guarneciam a vida
[Em inacabáveis quadrículos
De formato indefensável],
Do ar.
Sob a batalha que seguia
Na ordem do dia
Segundo se via na memória
Gravada na Pira
E os olhos de Deus fitando
Os pobres transeuntes, de cima
Lançavam uma onda de luz e calor
E como era de sempre se esperar
O céu chorava
A chuva caia.
E o Fogo da Pira que Ardia apagava suave
E agora todos voltam pra casa,
O Sol, os homens, o dia.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
outubro
do coração do céu de outubro
o calor abraça a terra
as nuvens cantam juntas
e o sol diz: voltei!
e, quando faz calor no coração de outubro
o céu abraça o mar
os peixes sonham que o mar é o céu
e o sol diz : voltei
e o sol diz: voltei
voltei!
o calor abraça a terra
as nuvens cantam juntas
e o sol diz: voltei!
e, quando faz calor no coração de outubro
o céu abraça o mar
os peixes sonham que o mar é o céu
e o sol diz : voltei
e o sol diz: voltei
voltei!
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
aniversário
Parabéns! Se teu brilho cândido, a cada ano, continuar a expandir, te fará culminar em si, uma estrela.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
pré-poema qualquer
Era uma vez uma tarde qualquer,
Como um começo de pobre poesia moderna qualquer.
Iam as mesmas pesadas e cinzentas nuvens,
Como sempre nos dias chuvosos de uma tarde qualquer.
Fugiam as infinitas nimbus de tristeza como Satanás expulso do paraíso.
Mas eu que não trazia nada n'alma
Procurei nos meus bolsos das calças um papel
E o sol que antes na minh'alma fervia
Dava adeus e me abandonava.
Subitamente,
um risco negro cortou o céu em forma de candelabro
Eram toutinegras andorinhas furiosas
Voando numa ordem cujos olhos meus não acompanhavam.
De tão bela dança entrevi um balé singelo:
Primeiro vinham,
Depois voltavam,
E por fim subiam juntas
Em direção ao sol que morria.
Cantavam uma canção de tão longe,
Que meus ouvidos duvidavam o que meu pobre coração ouvia,
Os pequenos gritos negros de alegria flagelavam o ar
E por isso as nuvens fugiam.
E tudo isso eu via através do vidro de um ônibus esfumaçado qualquer,
Via eu mesmo,
O que andava sozinho na calçada,
Aquele que pegava o papel e olhava pro céu, de alma vazia...
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O toque das ave-marias
Talvez às 6:00 horas, às 12,
ou quem sabe às 18 horas de hoje
Os homens se reúnam em comunhão
Como é santo nos dias de domingo
Como é inocente os homens-meninos
no dia de Cosme e Damião
Um dia ouvi dizer que os céus murmuraram anjos
e que na terra os operários é que murmurarão
na ultima colheita
a ultima canção
Não em latim :
Pater noster, qui es in caelis
Fiat voluntas tua
Ave, María, grátia plena,
Sancta María, Mater Dei,
Amen!
Nem hebraico, nem um hino de pendão
Mas num amalgama encantado
do mesmo pano que reveste os sonhos [das tempestades de Shakespeare]
do mesmo tecido que tece os vitrais das manhãs [das catedrais]
Cantarão nesse dia quem sabe um canção sem nome ainda
Uma oração sem esperança
Um ângelus sem luz
Eu que via com meus olhos
Já cedinho enquanto acompanhava o séquito
Que dos mesmos martelos que se preparavam para forjar estrelas:
Nasciam homens
E no momento da Anunciação
Vinham eles
Tão jovens e inocentes
como as crianças
pobres anjos barrocos
Então às 18 horas, triste e lentamente uma voz dizia:
"Quando as falanges dos teus dedos se redobrarem
Logo as aves, brancas ou não, dos céus descerão"
Então aqueles mesmos homens, mulheres e meninos vestidos de anjos
Todos calados, reunidos num circulo concêntrico em forma de falange
Nas mesmas 6:00 horas em que o sol ferve
Nas 12 horas em que o velho sino range
Nas mesmas 18 horas em que marias cantam as Ave Marias
Cantarão a canção:
Senhor!
Meu Deus!
Meu Deus
Maria! maria, marias
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Filipéia
Ai de ti Filipéia!
em cada uma de tuas mil humildes catedrais
onde os anjos não planam mais,
e os sinos enferrujaram de tristeza
desafinando o som de tua beleza
em cada uma destas mil cidades que fundaram teu coração de pedra
Ai de ti Filipéia!
Pois hoje
Haverá entre teus mais de dois milhões de homens:
um milhão estão a margem
os outros dormem
e destes homens resta algum?
Levanta de teu sono profundo
Emerge da tua secular couraça poeirenta
Ouve teus cantores cantadores
Eles repetem.
Hoje tuas arvores inexoráveis
Como colossais paredes de granito esverdeadas
Permanecem cravadas no teu pobre peito rachado
Dividido em mil partes de mil cismas empáfias
Do alto do teu céu negro azul escuro
Elas te fitam feito guardiãs
E cantam o canto uníssono de uma enorme muralha furiosa
Num coro reluzente de cor verde que teu negro coração de pedra nunca ouviu.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Sobre Cuba, Marx , e a esquerda
* O texto abaixo é uma resposta a este artigo
Se o socialismo somente já é um tema controverso, Cuba o torna mais controverso ainda, aliás nada simples seria sua analise. O proprio Marx numa entrevista disse ser impossivel uma revolução sem derramamento de sangue, o que nunca houve, e o que não justifica a crueldade. O socialismo de Marx jamais foi executado na sua forma ortodoxa. Se queremos ser justos, temos que falar em socialismos, ou talvez só exista na teoria, ainda. Ao meu ver foram tentativas, algumas delas cheia de paixão pela justiça à classe trabalhadora, outras apenas na aparencia. Atribuir a Cuba o sinonimo de uma Alemanha nacional-socialista é um absurdo erro de visão histórica, porquanto que se tratam de acontecimentos bastante diferenciados em suas essencias, ainda que sejam politicos. O que Cuba vai ser depois de Fidel Castro, é tão importante quanto dizer o que a esquerda será. A crise da esquerda é uma fase ou estará pra sempre ela esquecida, surgindo numa intermitência nas eras despoticas, como desespero dos povos? Porque a historia da esquerda não é uma invenção da História, é uma invenção de homens esmagados.
Se o socialismo somente já é um tema controverso, Cuba o torna mais controverso ainda, aliás nada simples seria sua analise. O proprio Marx numa entrevista disse ser impossivel uma revolução sem derramamento de sangue, o que nunca houve, e o que não justifica a crueldade. O socialismo de Marx jamais foi executado na sua forma ortodoxa. Se queremos ser justos, temos que falar em socialismos, ou talvez só exista na teoria, ainda. Ao meu ver foram tentativas, algumas delas cheia de paixão pela justiça à classe trabalhadora, outras apenas na aparencia. Atribuir a Cuba o sinonimo de uma Alemanha nacional-socialista é um absurdo erro de visão histórica, porquanto que se tratam de acontecimentos bastante diferenciados em suas essencias, ainda que sejam politicos. O que Cuba vai ser depois de Fidel Castro, é tão importante quanto dizer o que a esquerda será. A crise da esquerda é uma fase ou estará pra sempre ela esquecida, surgindo numa intermitência nas eras despoticas, como desespero dos povos? Porque a historia da esquerda não é uma invenção da História, é uma invenção de homens esmagados.
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