quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Triunfo (esboço)


Um dia ele virá
E passará triunfante.

Não haverá força que o impeça
Nem as vertebras dos homens
Nem a coluna dos muros errantes

Seu anuncio foi predito

Um dia ele virá

E passará triunfante.


Seu preludio é silencioso
Diz o coração.

Não há razão que suporta
O coração que arrebenta

E em cada noite que Deus sonha
Nasce um tigre

E se sobre seu dorso
senta uma criança

Quem poderia detê-lo?

Um dia ele virá
E passará triunfante.

Um dia ele virá
Virá o amor.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Pira do Ipiranga


Na Pira do Ipiranga
O Fogo da Cidade ardia
Ardia na pedra da pira
e refletia:

Sobre o céu cinzento

A nuvens caminham espessas
Os transeuntes aos milhares.
Alguns passeiam,
Outros correm desesperados
Da escravidão do dever.
Fora aqueles, estes
permanecem quase mortos,
Da inanição do abandono.
Enquanto o Fogo arde na Pira de Pedra
Enquanto a imensa cidade se contaminava de pedra.

Subiam sob os ramos da Razão contaminada

Um material duro e seco
Amparado em vigas
Erguiam as paredes da cidadela morta
E a peste que nascia
Dos muros enormes
Penetrava os corações menores
Petrificados pela solidão,
Guarneciam a vida
[Em inacabáveis quadrículos
De formato indefensável],
Do ar.

Sob a batalha que seguia

Na ordem do dia
Segundo se via na memória
Gravada na Pira
E os olhos de Deus fitando
Os pobres transeuntes, de cima
Lançavam uma onda de luz e calor
E como era de sempre se esperar
O céu chorava
A chuva caia.

E o Fogo da Pira que Ardia apagava suave

E agora  todos voltam pra casa,
O Sol, os homens, o dia.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

outubro

do coração do céu de outubro
o calor abraça a terra
as nuvens cantam juntas
e o sol diz: voltei!


e, quando faz calor no coração de outubro
o céu abraça o mar
os peixes sonham que o mar é o céu
e o sol diz : voltei

e o sol diz: voltei
voltei!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012



"O ceticismo excessivo é o correspondente intelectual ao fanatismo religioso."

Paiva Netto

terça-feira, 11 de setembro de 2012

aniversário

Parabéns! Se teu brilho cândido, a cada ano, continuar a expandir, te fará culminar em si, uma estrela.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

pré-poema qualquer


Era uma vez uma tarde qualquer, 
Como um começo de pobre poesia moderna qualquer. 
Iam as mesmas pesadas e cinzentas nuvens, 
Como sempre nos dias chuvosos de uma tarde qualquer.
Fugiam as infinitas nimbus de tristeza como Satanás expulso do paraíso.

Mas eu que não trazia nada n'alma
Procurei nos meus bolsos das calças um papel
E o sol que antes na minh'alma fervia 
Dava adeus e me abandonava.

Subitamente,
um risco negro cortou o céu em forma de candelabro 
Eram toutinegras andorinhas furiosas
Voando numa ordem cujos olhos meus não acompanhavam.

De tão bela dança  entrevi um balé singelo:
Primeiro vinham,
Depois voltavam,
E por fim subiam juntas 
Em direção ao sol que morria.

Cantavam uma canção de tão longe, 
Que meus ouvidos duvidavam o que meu pobre coração ouvia,
Os pequenos gritos negros de alegria  flagelavam o ar 
E por isso as nuvens fugiam.

E tudo isso eu via através do vidro de um ônibus esfumaçado qualquer,
Via eu mesmo, 
O que andava sozinho na calçada,
Aquele que pegava o papel e olhava pro céu, de alma vazia...