terça-feira, 11 de setembro de 2012
aniversário
Parabéns! Se teu brilho cândido, a cada ano, continuar a expandir, te fará culminar em si, uma estrela.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
pré-poema qualquer
Era uma vez uma tarde qualquer,
Como um começo de pobre poesia moderna qualquer.
Iam as mesmas pesadas e cinzentas nuvens,
Como sempre nos dias chuvosos de uma tarde qualquer.
Fugiam as infinitas nimbus de tristeza como Satanás expulso do paraíso.
Mas eu que não trazia nada n'alma
Procurei nos meus bolsos das calças um papel
E o sol que antes na minh'alma fervia
Dava adeus e me abandonava.
Subitamente,
um risco negro cortou o céu em forma de candelabro
Eram toutinegras andorinhas furiosas
Voando numa ordem cujos olhos meus não acompanhavam.
De tão bela dança entrevi um balé singelo:
Primeiro vinham,
Depois voltavam,
E por fim subiam juntas
Em direção ao sol que morria.
Cantavam uma canção de tão longe,
Que meus ouvidos duvidavam o que meu pobre coração ouvia,
Os pequenos gritos negros de alegria flagelavam o ar
E por isso as nuvens fugiam.
E tudo isso eu via através do vidro de um ônibus esfumaçado qualquer,
Via eu mesmo,
O que andava sozinho na calçada,
Aquele que pegava o papel e olhava pro céu, de alma vazia...
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O toque das ave-marias
Talvez às 6:00 horas, às 12,
ou quem sabe às 18 horas de hoje
Os homens se reúnam em comunhão
Como é santo nos dias de domingo
Como é inocente os homens-meninos
no dia de Cosme e Damião
Um dia ouvi dizer que os céus murmuraram anjos
e que na terra os operários é que murmurarão
na ultima colheita
a ultima canção
Não em latim :
Pater noster, qui es in caelis
Fiat voluntas tua
Ave, María, grátia plena,
Sancta María, Mater Dei,
Amen!
Nem hebraico, nem um hino de pendão
Mas num amalgama encantado
do mesmo pano que reveste os sonhos [das tempestades de Shakespeare]
do mesmo tecido que tece os vitrais das manhãs [das catedrais]
Cantarão nesse dia quem sabe um canção sem nome ainda
Uma oração sem esperança
Um ângelus sem luz
Eu que via com meus olhos
Já cedinho enquanto acompanhava o séquito
Que dos mesmos martelos que se preparavam para forjar estrelas:
Nasciam homens
E no momento da Anunciação
Vinham eles
Tão jovens e inocentes
como as crianças
pobres anjos barrocos
Então às 18 horas, triste e lentamente uma voz dizia:
"Quando as falanges dos teus dedos se redobrarem
Logo as aves, brancas ou não, dos céus descerão"
Então aqueles mesmos homens, mulheres e meninos vestidos de anjos
Todos calados, reunidos num circulo concêntrico em forma de falange
Nas mesmas 6:00 horas em que o sol ferve
Nas 12 horas em que o velho sino range
Nas mesmas 18 horas em que marias cantam as Ave Marias
Cantarão a canção:
Senhor!
Meu Deus!
Meu Deus
Maria! maria, marias
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Filipéia
Ai de ti Filipéia!
em cada uma de tuas mil humildes catedrais
onde os anjos não planam mais,
e os sinos enferrujaram de tristeza
desafinando o som de tua beleza
em cada uma destas mil cidades que fundaram teu coração de pedra
Ai de ti Filipéia!
Pois hoje
Haverá entre teus mais de dois milhões de homens:
um milhão estão a margem
os outros dormem
e destes homens resta algum?
Levanta de teu sono profundo
Emerge da tua secular couraça poeirenta
Ouve teus cantores cantadores
Eles repetem.
Hoje tuas arvores inexoráveis
Como colossais paredes de granito esverdeadas
Permanecem cravadas no teu pobre peito rachado
Dividido em mil partes de mil cismas empáfias
Do alto do teu céu negro azul escuro
Elas te fitam feito guardiãs
E cantam o canto uníssono de uma enorme muralha furiosa
Num coro reluzente de cor verde que teu negro coração de pedra nunca ouviu.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Sobre Cuba, Marx , e a esquerda
* O texto abaixo é uma resposta a este artigo
Se o socialismo somente já é um tema controverso, Cuba o torna mais controverso ainda, aliás nada simples seria sua analise. O proprio Marx numa entrevista disse ser impossivel uma revolução sem derramamento de sangue, o que nunca houve, e o que não justifica a crueldade. O socialismo de Marx jamais foi executado na sua forma ortodoxa. Se queremos ser justos, temos que falar em socialismos, ou talvez só exista na teoria, ainda. Ao meu ver foram tentativas, algumas delas cheia de paixão pela justiça à classe trabalhadora, outras apenas na aparencia. Atribuir a Cuba o sinonimo de uma Alemanha nacional-socialista é um absurdo erro de visão histórica, porquanto que se tratam de acontecimentos bastante diferenciados em suas essencias, ainda que sejam politicos. O que Cuba vai ser depois de Fidel Castro, é tão importante quanto dizer o que a esquerda será. A crise da esquerda é uma fase ou estará pra sempre ela esquecida, surgindo numa intermitência nas eras despoticas, como desespero dos povos? Porque a historia da esquerda não é uma invenção da História, é uma invenção de homens esmagados.
Se o socialismo somente já é um tema controverso, Cuba o torna mais controverso ainda, aliás nada simples seria sua analise. O proprio Marx numa entrevista disse ser impossivel uma revolução sem derramamento de sangue, o que nunca houve, e o que não justifica a crueldade. O socialismo de Marx jamais foi executado na sua forma ortodoxa. Se queremos ser justos, temos que falar em socialismos, ou talvez só exista na teoria, ainda. Ao meu ver foram tentativas, algumas delas cheia de paixão pela justiça à classe trabalhadora, outras apenas na aparencia. Atribuir a Cuba o sinonimo de uma Alemanha nacional-socialista é um absurdo erro de visão histórica, porquanto que se tratam de acontecimentos bastante diferenciados em suas essencias, ainda que sejam politicos. O que Cuba vai ser depois de Fidel Castro, é tão importante quanto dizer o que a esquerda será. A crise da esquerda é uma fase ou estará pra sempre ela esquecida, surgindo numa intermitência nas eras despoticas, como desespero dos povos? Porque a historia da esquerda não é uma invenção da História, é uma invenção de homens esmagados.
quinta-feira, 15 de março de 2012
caminhos cruzados
se ontem eu te visse
como hoje eu te avistasse
te dirias o que agora serias
passando por mim
ainda não te via
caminhos cruzados
no onibus, atados
segurando os ferros frios
de onde tu vinhas
o pisar dos meus passos
lembrava teus passos
que eu nunca sonhara
que eu não previa
levantam-se os braços
sobre a inercia da vida
freavam-se os sonhos
tolhiam-se as rosas
como hoje eu te avistasse
te dirias o que agora serias
passando por mim
ainda não te via
caminhos cruzados
no onibus, atados
segurando os ferros frios
de onde tu vinhas
o pisar dos meus passos
lembrava teus passos
que eu nunca sonhara
que eu não previa
levantam-se os braços
sobre a inercia da vida
freavam-se os sonhos
tolhiam-se as rosas
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Poema para uma atriz
Uma vez que viestes ao mundo
Trouxestes contigo uma
Imensidão de importância
Celeste.
Se imitas a vida,
Não é somente a vida
Que imitas
É essa cadencia infinita
Sob a aparência cansativa horas
Ponteiros cinzentos escondendo
A camada da vida.
Mas teu papel,
É bem aquele do artista
Sob o palco dos dias.
Que quando olhas – lembra
As nuvens cheias de sonhos
Daqueles que quando falas – agitas (as almas)
Num carrossel sem eixos,
Convicto de amor,
A forma da vida
O conteúdo da morte.
Tempestades de toda sorte
São esses seres
Sem luz, sem flor.
A quem somente o
Lembras então aos novos atores
Que novos dias virão.
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